Quarta-feira, Agosto 16, 2006
O Caçador de Pipas, com você e eu.
Tentei começar a ler umas três vezes e parei. Parecia cansativo. Minha inteira resistencia a ler best-sellers. Está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Veja. Uma amiga querida, mas que tem o gosto pela vida diferente do meu, me recomendou. E também por isso pensei: ah, de repente é um livro bom para ela e não para mim. Mas no domingo de manhã resolvi descobrir porque tantas pessoas estavam adorando esse livro: "O Caçador de Pipas", primeiro romance de Khaled Hosseini, autor que nasceu no Afeganistão e mora em São Francisco desde 1980 e é formado em Medicina.
O livro conta a história de dois homens, um rico e poderoso e seu empregado, que tiveram a sorte parecida com relação aos filhos: um perdeu a mulher no parto, deixando-o sozinho para criar o menino. O outro também perdeu a mulher após o nascimento do seu menino. Ela fugiu. Essas duas crianças são criadas juntas, como dois irmãos. Brincam juntas, comemoram coisas juntas. Mas uma vai a escola, a outra não. Uma serve e a outra é servida. São de religiões e biotipos diferentes. Que no Afeganistão determinam a um simples olhar, a que grupo pertencem.
Se eu contar a história toda, talvez você leia este post e desista do livro. Então só descrevi uma pequena sinopse. Os segredos vão sendo revelados aos poucos. O livro é cheio de surpresas. E tende a ser um grande dramalhão. Com uma narrativa moderna, que flui. Mas ao mesmo tempo, um fundo moral, uma maneira de sentir bem do jeito afegão, permeia tudo. E o que prende tanta gente? Será o drama que bem poderia ser uma novela? Acho que não. Tem bem mais poesia que uma novela. Tem mais sutileza. E principalmente, trata com uma enorme lupa, a natureza dos vínculos humanos. Por que sou ligado a alguém? O que é parentesco? O que é amizade, amor, entrega, ciúme, pedido de atenção. Lida o tempo todo com os buracos que conhecemos tão bem. Com aquilo que nos falta e que pensamos que poderemos preencher com o afeto de alguém. Lida com a solidão de ser. Com o sentimento de identidade, de forma bem tocante. Estou me dando conta que o o livro é bastante complexo, cheio de vida. Com sentimentos universais, Apesar de mostrar o drama tão regional que é a história do Afeganistão. Repleta de invasões e destruição. Como a invasão russa que obrigou tanta gente a deixar o país em condições precaríssimas. E todo o poderio nefasto do Talibã. Matando, mandando e desmandando. Cheio de ódio e fanatismo e nenhum misticismo envolvido aí. Quem ler vai gostar. Tanto que está em primeiro lugar na lista. Por falar em lista, qualquer hora vou falar de todos os livros que li nos ultimos tempos. E quem quiser deixar aqui as suas sugestões, poderemos criar uma lista muito especial. É isso. O Caçador de Pipas valeu a pena, não só para a torcida do Flamengo, do Corintias e sei la mais qual, como para mim também.
Por Jasmine
# Às 7:44 AM
